Apesar de existirem indícios de que Pedro Álvares Cabral possuía casas de morada em Santarém, permaneceu até hoje bastante difícil determinar a sua localização e a sua morfologia. Esta dificuldade deriva, quer da escassez ou relativa ambiguidade das fontes documentais, quer da raridade dos elementos cartográficos, quer ainda da inexistência de um estudo minucioso da morfologia das diferentes áreas urbanas, nomeadamente a envolvente da Igreja de Nossa Senhora da Graça. Contextualizada por estes condicionalismos, a presente nótula histórica pretende avançar uma nova proposta de análise, sempre ciente de que o objectivo genesíaco da História é apresentar hipóteses capazes de fomentar a discussão, mais do que aduzir verdades irrefutáveis e acabadas.
A ligação de Pedro Álvares Cabral com (a então Vila de) Santarém deve compreender-se numa dupla perspectiva: por um lado no âmbito da presença dos Cabrais em Santarém, fidalgos cortesãos de segunda linha e cujo património derivou parcialmente desta sua proximidade com a Corte; por outro lado no contexto dos laços matrimoniais do descobridor do Brasil com Dona Isabel de Castro, irmã do vice-rei D. Garcia de Noronha e descendente dos Meneses - uma das famílias nobres de maior importância e poder da urbe escalabitana. Os primeiros dotaram Cabral de um vasto património material, a que Pedro Álvares Cabral teve acesso pelas heranças de família; os segundos concederam-lhe vastas regalias sociais, como a de ter moradia espiritual no cenóbio que os Agostinhos possuíam nesta Vila.
Fonte: CASA DO BRASIL - Edição comemorativa da inauguração