O concelho de Santarém com uma área bastante extensa de 56.260 hectares e um território muito diversificado com uma paisagem de grandes contrastes, é o Concelho do campo, bairro, charneca e serra, com o Tejo nos “pés” da Cidade. A ocupação urbana deste território tem também tipologias bastante diversificadas.
Conforme descrito no livro de António Pena, “Santarém – Um Roteiro Natural do Concelho” 1996, este concelho situa-se na margem direita do Tejo, que o limite a leste, e a Sul do Maciço Calcário Estremenho de Porto de Mós (serra de Aire e Candeeiros). Insere-se na província ribatejana que é constituída na sua maior parte pelo distrito do qual a cidade de Santarém é a capital. Este concelho, de solo predominantemente calcário, de povoamento denso e dedicado à arboricultura, tem paisagisticamente mais afinidades com a Estremadura.
À medida que se percorre o concelho de Sul para Norte vai-se passando de uma paisagem intensamente humanizada, com diversos aglomerados populacionais de dimensão variável ao longo das vias de comunicação, onde imperam as culturas de tipo mediterrânico como o olival e o trigo que convivem com as vinhas, para uma mancha florestal constituída por povoamentos de pinheiro e eucalipto cobrindo colinas e encostas areníticas e calcárias até chegarmos a uma zona de vegetação geralmente rala e baixa, pobre em culturas e de reduzida densidade populacional.
Conforme é explanado por este mesmo autor, a natureza e riqueza orgânica dos solos têm reflexo directo nos diversos aproveitamentos por parte do homem. Na planície aluvial do Tejo, os solos de aluvião dão lugar a uma utilização agrícola variada, intensa e muito produtiva. A mancha florestal concelhia concentra-se sobre solos pobres para a agricultura e, portanto, de óbvia aptidão florestal – os solos litólicos não húmicos e os podzois. Os solos calcários pardos e vermelhos são maioritários e suportam uma agricultura de sequeiro tipicamente mediterrânica (ex. pomares, vinha, searas). Os sistemas culturais arvenses ocupam cerca de metade da área concelhia. O olival é extraordinariamente relevante encontrando-se em qualquer tipo de solo desde o vale do Tejo até à serra.
A cidade cresceu associada a duas das zonas “naturais” que caracterizam o concelho, o campo (lezíria, margem ribeirinha e áreas adjacentes) e o bairro (planalto e encostas).
Segundo a carta ecológica de Pina Manique Albuquerque, a área denominada por bairro, está incluído na zona atlântico-mediterrânica-submediterrânica.
A vegetação espontânea, potencial pode ser caracterizada segundo os estudos de J. Carvalho e Vasconcelos e J. do Amaral Franco, publicado por Caldeira Cabral e Ribeiro Telles (1960), de acordo com as características climáticas que estão subjacentes a cada sítio. Deste modo o território da cidade de Santarém poderá ser caracterizado, em termos gerais, pela formação dominante ser a do Carvalhal da Zona Húmida-Quente. Esta é dividida em árvores e arbustos. As primeiras são: sobreiro (Quercus suber), carvalho negral (Quercus pyrenaica), carvalho cerquinho (Quercus faginea), zambujeiro (Olea europea var. silvestris), carrasco (Quercus coccifera), azinheira (Quercus ilex), aderno (Phillyrea latifolia), medronheiro (Arbutus unedo), loureiro (Laurus nobilis), Sanguinho das sebes (Rhamnus alaternus), catapereiro (Pirus communis), pinheiro manso (Pinus pinea). Os arbustos são: pilreteiro (Crataegus monogyna), abrunheiro bravo (Prunus spinosa), gilbardeira (Ruscus aculeatus), aroeira (Pistacea lentiscus), murta (Myrtus communis), urze branca (Erica lusitanica), urze das vassouras (Erica scoparia), lentisco bastardo (Phillyrea angustifolia), folhado (Viburnum tinus), roseira branca (Rosa sempervirens) e madressilva caprina (Lonicera etrusca).
A mata mediterrânica é actualmente a situação mais próxima do coberto primitivo. Este tipo de formação não tem muita expressão na área de intervenção, sendo contudo nas encostas declivosas e mais ensombradas que se poderá eventualmente encontrar alguns exemplares das espécies que estão associadas ao carvalho-cerquinho e azinheira, como o Folhado, o Giestó, a Aroeira, o Aderno, o Medronheiro, o Carrasco, o Pilrreteiro, a Urze branca, a Giesta-negral, entre outras.
Associada à margem do Rio Tejo e às linhas de água, é a mata ribeirinha que adquire grande expressão, formando grandes linhas estruturantes da paisagem com árvores de crescimento rápido como os choupos (Populus spp.), salgueiros (Salix spp.), freixos (Fraxinus spp.) e tarmagueiras (Tamarix spp.). Estas têm um papel muito importante na fixação das margens travando a erosão.
O meio urbano é, na sua estrutura, fortemente determinado pelas características naturais do sítio que lhe deu origem. A importância do rio Tejo e a geomorfologia do terreno na génese do lugar que é Santarém, constituem uma referência e uma riqueza cultural e paisagística única em especial na cidade e seu Centro Histórico. Estas características são determinantes na génese e desenvolvimento da estrutura verde e ecológica principal com a qual se articulam os espaços verdes urbanos.
A Estrutura Verde da cidade é constituída por sistemas diferentes de acordo com as suas características tipológicas e morfológicas, principais funções e utilizações. Nesta distinguem-se três grandes sistemas de espaços verdes associados à morfologia, às características ( “naturais” e culturais) e a níveis territoriais e de escala diferentes, que são:
1. Sistema Ribeirinho;
2. Sistema Contínuo de Vales e Encostas.
3. Sistema associado à malha urbana:
• Sub-sistema Pontual;
• Sub-sistema Semi-contínuo.
A caracterização do território e a sua ocupação são fundamentais para se perceber a estrutura verde da cidade, que tem um papel fundamental em termos ecológicos, na continuidade de fluxos, na melhoria do ambiente urbano e do conforto bioclimático (ex: biodiversidade, controle dos escoamentos hídricos e atmosféricos, abastecimento de oxigénio pela vegetação, controle de temperatura, filtragem de poeiras...), para além claro da importância na qualidade do espaço urbano e criação de áreas próprias para o recreio e lazer. Em termos de assegurar e promover a riqueza biológica há que criar e manter as condições de diversidade, intensidade, continuidade e dimensão indispensáveis a essa activação biológica, tal como foi referido.