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Caraterização do Concelho

Caraterização Ambiental Caraterização Histórico-Cultural Caraterização Sócio-Demográfica

 

Caraterização Ambiental


 

O concelho de Santarém situa-se na margem direita do Tejo, que o limita a leste, e a Sul do Maciço Calcário Estremenho de Porto de Mós (serras de Aire e Candeeiros).

O concelho de Santarém situa-se na margem direita do Tejo. Faz fronteira com os concelhos de Porto de Mós, Alcanena e Torres Novas, a Norte; a Sul, com os do Cartaxo e Almeirim; a Leste com os da Golegã, Chamusca e Alpiarça e a Oeste com os de Rio Maior e Azambuja. Insere-se na província ribatejana que é constituída na sua maior parte pelo distrito do qual a cidade de Santarém é a capital.

O Ribatejo corresponde à bacia sedimentar do Tejo, estabelecendo a transição entre o Litoral e o Interior. Com uma área de 56.260 hectares, este concelho pode considerar-se de média dimensão à escala nacional. O seu comprimento máximo, medido entre o Covão dos Porcos (maciço de Porto de Mós) a Norte e a foz da Vala Travessa (no Tejo) a Sul, é de 31,6 quilómetros.

A sua sede, elevada a cidade em 1868, é considerada a rainha do Ribatejo. É rica em património histórico-cultural e, mesmo a nível concelhio, se encontram várias e abundantes estruturas monumentais bem como vestígios da ocupação romana e árabe que atestam a riqueza histórica desta região.

Santarém chegou a ter acesso direto ao mar através da navegabilidade do Tejo. Localizada sobre uma elevação, a sua situação geográfica e confere-lhe pontos de vista, para Norte e Nascente, de inegável beleza. Neste contexto destacam-se as Portas do Sol, autêntica varanda sobre o Tejo, ajardinada em 1895, com um miradouro feito na porta que se encontra na direção do sol levante. 

À medida que se percorre o concelho de Sul para Norte vai-se passando de uma paisagem intensamente humanizada, com diversos aglomerados populacionais de dimensão variável ao longo das vias de comunicação, onde imperam as culturas de tipo mediterrânico como o olival e o trigo que convivem com as vinhas, para uma mancha florestal constituída por povoamentos de pinheiro e eucalipto cobrindo colinas e encostas areníticas e calcárias até chegarmos a uma zona de vegetação geralmente rala e baixa, pobre em culturas e de reduzida densidade populacional. Por todo o concelho, encontramos algumas elevações com pontos de vista dignos de destaque que permitem observar várias formas topográficas e de uso do solo em presença (e. Cabeço da Guarita (Abrã); Castelo medieval de Alcanede; Alto dos Chões). 

No que diz respeito à atividade agroflorestal, o concelho insere-se na região do Ribatejo Oeste e dentro desta, na sub-região Vale do Tejo e Sorraia que denota características fisiográficas e sistemas agrícolas dominantes específicos. As plantas mediterrânicas como a Oliveira e a Figueira são aqui expressivas. O olival é extraordinariamente relevante encontrando-se em qualquer tipo de solo desde o vale do Tejo até à serra, assim como a vinha. A floresta, embora minoritária encontra-se no limite entre a serra e a peneplanície e é sobretudo composta por povoamentos puros ou mistos de Pinheiro-bravo e Eucalipto. Na zona meridional do concelho existem ainda alguns núcleos de Pinheiro-manso como, por exemplo, o da Quinta dos Anjos.
 
in "Santarém. Um roteiro Natural do Concelho" (1996)

 

O CLIMA

O clima do concelho pode considerar-se uma situação de transição entre o tipo marítimo, ainda com penetração do ar atlântico, e o continental atenuado embora com características mais específicas nas zonas mais elevadas. Relativamente à precipitação a sua quantidade cresce de Sueste para Noroeste, das zonas mais baixas para as mais elevadas, estando fortemente condicionada pela presença do maciço calcário de Porto de Mós (o ar marítimo carregado de humidade, em contacto com o maciço, sobe provocando aquilo que se conhece por precipitação orográfica).

A água infiltra-se muito rapidamente corroendo a massa rochosa em profundidade dando origem a grutas e a abundantes reservatórios subterrâneos que desembocam por vezes à superfície sob a forma de nascentes, como é o caso do Alviela nos Olhos de Água. A chuva cai fundamentalmente entre Outubro e Março. 

No que diz respeito à temperatura demarcam-se apenas duas zonas: uma, minoritária, mais fresca, nos prolongamentos ocidentais do concelho, que corresponderá eventualmente ao território sob maior influência do ar marítimo, outra, mais quente, abrangendo quase toda a área concelhia. Em relação à humidade relativa do ar podemos constatar que ela é moderadamente elevada em todo o concelho. Contudo pensamos ser de alguma relevância referir o fenómeno da precipitação de contacto (ou oculta) que resulta da interceção, por parte da vegetação ou mesmo pelas formas de relevo, da humidade atmosférica. A humidade é a responsável, sobretudo no estio, por um ambiente favorável na serra e pela manutenção de frescura nas camadas superficiais do solo. Por outro lado, no período mais frio do ano são frequentes os nevoeiros matinais nas baixas ou depressões topográficas. Acrescente-se ainda que os ventos são frequentes - como o atesta a grande quantidade de moinhos espalhados por todo o concelho - e predominantes do quadrante noroeste. Porém, os mais fortes sopram de Sul e correspondem a situações de temporal.

in "Santarém. Um roteiro Natural do Concelho" (1996)

 

AS ZONAS NATURAIS

Ao longo do concelho evidenciam-se diferenças que correspondem a tipos climáticos, pedológicos, topográficos e de intervenção humana (usos do solo) distintos. Em conformidade com esta situação consideram-se habitualmente quatro zonas naturais bem individualizadas, algumas das quais integrando diversas subzonas, a saber: o Campo, o Bairro, a Charneca e a Serra.

O Campo (ou Lezíria) corresponde às planuras inundáveis da margem direita do Tejo e do curso inferior dos seus principais afluentes. Constitui-se de aluviões modernos profundos e férteis, de elevada produtividade (são dos melhores solos agrícolas do país), onde se praticam os regadios mediterrânicos (e.g. tomate, melão). Predominam os cereais de Outono/Inverno (trigo e cevada), a vinha e o milho. O girassol e o milho têm boas condições de expansão e o melão reveste-se de alguma importância. O arroz, outrora o uso dominante destes terrenos, é hoje inexistente. A água é aqui um expressivo modelador da paisagem, sendo as cheias um factor limitante ao uso da terra.

 

O Bairro espraia-se pelo centro do concelho salientando-se como a zona que maior área abrange. Apresenta um ondulado característico e os seus solos, argilo-arenosos e argilo-calcários, suportam diversos tipos de culturas de sequeiro: a vinha, o olival e as culturas arvenses que, por vezes, ocorrem no sobcoberto do olival. Segundo a carta ecológica de Pina Manique Albuquerque, o Bairro está incluído na zona atlântico-mediterrânica-submediterrânica o que se traduz no facto de ser o domínio potencial de elementos da vegetação natural como o Zambujeiro, o Pinheiro-manso, o Pinheiro-bravo, o Carvalho-cerquinho e o Sobreiro.

A Charneca localiza-se, em depressão, entre o Bairro e a Serra e, para alguns autores, ela apenas representa uma subzona daquele. Aqui se concentra a mancha florestal mais significativa do concelho composta por pinhais e eucaliptais, embora também ocorram a Oliveira, a Vinha e os matagais. É um território de solos mais ou menos pobres com natural aptidão silvícola.

A Serra, integrada no maciço estremenho de Porto de Mós, limita a Norte o concelho. É a zona de maior altitude e nela podem observar-se afloramentos rochosos e pedras soltas em grande abundância. Constitui-se de relevos calcários de feição atlântico-mediterrânica onde predominam, na vegetação natural, o Zambujeiro, o Carvalho-cerquinho e a Azinheira. Aqui e ali, os relevos são interrompidos por vales (depressões) mais ou menos planos, de solo mais fundo e fértil muitas vezes arrastado das encostas, com pequenas manchas agrícolas. O solo é vermelho de calcário e os campos são ladeados por muros de pedra que têm origem na despedrega dos terrenos. Os muros contribuem para dificultar o acesso às culturas por parte de coelhos e de outros mamíferos prejudiciais à actividade agrícola. A ocupação do solo é feita sobretudo pela vegetação natural e pela Oliveira. A actividade económica dominante é a extracção de pedra e seu tratamento com vista à construção de pavimentos e ornamento, Por isso, no seio da Serra encontram-se diversas pedreiras com óbvios impactos negativos sobre a qualidade do ambiente em geral e da paisagem em particular. Embora francamente minoritária, existe aqui uma indústria caseira de fabrico de tapetes e mantas de lã que utilizam a matéria-prima dos rebanhos de ovelhas.

in "Santarém. Um roteiro Natural do Concelho" (1996)

 

Em Portugal o revestimento florestal era constituído por formações arbóreas baixas. Os eucaliptos e os pinheiros são árvores altas, típicas da Austrália (eucaliptos) e Europa Central e do Norte (pinheiros), que têm a sua origem em plantações artificiais.

Para percebermos a  história das localidades temos que nos socorrer da toponímia. Terras conhecidas por Bairro, Charneca e Serra eram zonas de predominância de um carvalhal, mais ou menos denso e diversificado. A qualidade do substrato e o tipo de relevo, assim como a proximidade do maciço de Porto de Mós, são condicionantes para a concentração deste tipo de vegetação. A Serra apresentava um povoamento composto por três árvores principais: o medronheiro, a azinheira e o carvalho-cerquinho. O carvalho cerquinho (Quercus faginea) existe na Península Ibérica e em Marrocos e tem preferência por ambientes de elevada humidade atmosférica - é uma espécie higrófila. Sendo uma árvore semicaducifólia (ou marcescente), faz a transição entre as plantas mediterrânicas perenifólias (e.g. Sobreiro, Azinheira) e as de folha caduca da Europa.

A Charneca e o Bairro, por seu turno, apresentavam em certos locais, em especial ácidos e arenosos ou cascalhentos, o Sobreiro que em determinadas situações deveria substituir a Azinheira. O pinheiro-manso teria lugar em solos mais xistosos e menos consolidados.

A Lezíria era composta por pântanos, nomeadamente no vale do Alviela, no vale da ribeira da Asseca e no vale do Tejo.

A Serra, no entanto, tem um ambiente próprio e é porventura a zona menos artificializada e menos povoada do concelho. Por isso e também por ser de constituição geológica particular, é rica do ponto de vista natural. Esta porção do território concelhio inclui-se no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros que é também um biótipo CORINE (O Projeto Biótopos identifica e caracteriza as áreas naturais mais relevantes à escala da União Europeia). Os atributos que levaram à sua qualificação como biótopo CORINE são o seu interesse botânico e zoológico gerais, a presença de espécies raras, vulneráveis e endémicas (e.g Narcissus calcicola - endemismo português considerado em perigo de extinção) e a sua importância geomorfológica.

É nas herbáceas que mais se torna visível o descanso estival impulsionado pela secura. Esta origina uma nudez dos campos já que as plantas não lenhosas sobrevivem nesta altura sob a forma de sementes e bolbos. Também a Figueira e a Vinha, plantas cultivadas de folha caduca, imprimem um ritmo fisionómico à paisagem condicionado pelo aparecimento e queda das folhas. O Carvalho-cerquinho ocupa uma posição intermédia entre o tipo fisionómico das plantas sempre verdes e o das de folha caduca. No seio das espécies de folhas sempre verdes e coriáceas destacam-se contudo, dois tipos fisionómicos distintos em função da influência da floração na paisagem: o primeiro engloba árvores e arbustos que apresentam um aspeto praticamente sempre igual (e.g. pinheiros, Eucalipto, Oliveira, Azinheira, Sobreiro, Carrasco, Aroeira, Sanguinho-das-sebes; são espécies que conferem estabilidade fisionómica à paisagem embora, no caso do Sobreiro, por ocasião do descortiçamento - entre Junho e Agosto, o tronco e os ramos descascados façam surgir uma tonalidade cor de canela evidente (a maturação da azeitona também acarreta um certo ritmo fisionómico). O segundo tipo fisionómico agrupa plantas com flores de cores vivas (e.g. estevas, madressilvas, rosmaninhos, urzes, tojos), ou seja, que imprimem na paisagem um óbvio ritmo fisionómico (e.g. nos matagais).

in "Santarém. Um roteiro Natural do Concelho" (1996)

 

AS ESPÉCIES

Para o botânico João Amaral Franco, a área concelhia abrange três zonas fitogeográficas distintas, a saber: o Centro Sul Pliocénico - a que corresponde uma faixa mais ou menos larga que ladeia o Tejo; o Centro Sul Miocénico - abarcando parte do Bairro e a Charneca; o Centro Oeste Calcícola, correspondendo à Serra.

Por influência quer do clima, quer do solo, nos terrenos calcários de entre Mondego e Tejo, as espécies mediterrânicas alcançam 56% do elenco florístico. Sabe-se que estes terrenos favorecem o desenvolvimento tanto daquelas espécies como das ibero-africanas. Como características dos solos calcários (calcícolas), podem referir-se entre outras as seguintes plantas.

Flora

Erva-do-homem-enforcado, Satirião-menor, Antirrhinum calycinum, Roselha-maior, Bons-dias, Trovisco-macho, Maios-amarelos, Alfazema-brava, Flor-dos-macaquinhos, Carrasco e Folhado. Espécies como o Tojo-arnal, a Queiró, a Silva e o Feto-ordinário, que ocorrem no concelho e que são originárias do Centro e Norte da Europa, penetraram em Portugal ao longo da costa através da Cantábria e da Galiza evitando o frio e a secura da Meseta Norte, Refira-se ainda um facto algo paradoxal que estranhámos e que se traduz na ocorrência, no concelho, de plantas calcífugas de que salientamos o Rosmaninho, o Tojo-molar, a Roselha, a Urze-das-vassouras e a Erva-montã. Segundo se pensa, a sua existência deverá confinar-se a zonas onde as abundantes quedas de chuva invernal lavam o solo, arrastando o cálcio assimilável. Como curiosidade gostaríamos também de mencionar a presença de árvores monumentais das quais algumas serão porventura das maiores e/ou das mais velhas da sua espécie na região. Temos então um Carvalho-cerquinho multisecular (Quinta da Centieira/Póvoa da Isenta) - que já em meados do século passado se considerava o maior do distrito, um Pinheiro-manso (Vale de Santarém), uma Azinheira (junto à E.N. 362 perto de Romeira) e um Sobreiro (próximo do vale da ribeira de Cabanas, em Azoia de Baixo).

A Mata Mediterrânica

Este biótopo é actualmente o mais próximo daquilo que era o coberto primitivo. Estruturalmente integra estratos herbáceo, arbustivo e arbóreo bem desenvolvidos e diversificados e quase sempre apresenta uma densidade apreciável, sendo por vezes quase impenetrável. Desenvolve-se sobre solos orgânicos e pertence fundamentalmente à associação Quercetum-fagínea. Vamos encontrar este tipo de formação quer espalhada pelo Bairro e pela Charneca em pequenos núcleos e encostas declivosas com o Carvalho-cerquinho e o Sobreiro como árvores dominantes (e.,g.. Vale da Ribeira de Cabanas), quer na Serra ocupando fundos de encostas e vales, numa área mais ou menos extensa e polvilhada de afloramentos rochosos sendo aqui reinantes o Carvalho-cerquinho e a Azinheira (e.g. Vale da Trave). Este coberto é rico em plantas higrófilas (e.g. Carvalho-cerquinho), trepadoras (e.g. Hera, Madressilva-das-boticas, Raspa-língua, Salsaparrilha-bastarda, Norsa-preta) e em espécies que medram em ambientes ensombrados (e.g. Rosa-albardeira). Do cortejo florístico fazem ainda parte, entre outros, arbustos como o Folhado, a Giesta, o Aderno, o Medronheiro - que não raras vezes assume porte arbóreo, o Carrasco, o Pilriteiro, a Urze-branca, a Giesta-negral, diversas espécies de estevas (Cistus sp.) e ervas como as orquídeas Limodorum abortivum e Cephalanthera longifolia, as Bocas-de-lobo, a Erva-bicha, a Erva-da-novidade e o jacinto-dos-campos para apenas citarmos algumas.

Do ponto de vista da fauna aqui encontram refúgio os mamíferos carnívoros como: as raposas, os texugos, ginetas e sacarrabos, diversas aves como: o Chapim-rabilongo, o Tentilhão-comum, o Pisco-de-peito-ruivo, o Rouxinol-comum, a Felosa-comum e a Carriça apresentam densidades apreciáveis.

Os Matagais 

Os povoamentos arbustivos apresentam diversas estruturas e composições florísticas mas têm todos um denominador comum - o Carrasco. As formações de Quercus coccifera ou carrascais comportam-se aparentemente como se fossem populações permanentes mas na realidade constituem quer formações secundarias por destruição dos carvalhais primitivos (evolução regressiva das associações climácicas), quer agrupamentos mais degradados resultantes dos primeiros ou do abandono de terras de cultivo, neste último caso podendo vir a atingir um estado estruturalmente e floristicamente mais complexo e diversificado (evolução progressiva). Em ambos os casos, as plantas que preferenciam um certo grau de ensombramento e humidade desaparecem, aumentando aquelas que estão associadas a ambientes mais secos e expostos (xerófilas). Os carrascais mais evoluídos podem surgir como agrupamentos fechados, com algumas árvores dispersas, estruturalmente próximos do maquial (em certas encostas mais húmidas e íngremes do Bairro e da Charneca), integrando arbustos como o Alecrim, o Trovisco-fêmea, a Azinheira, o Saganho-mouro, o Lentisco-bastardo, o Tojo-molar, a Aroeira, o Zambujeiro, o Medronheiro, a Sena-do-reino e as Silvas.

Por sua vez, os carrascais degradados formam na maior parte dos casos povoamentos arbustivos e subarbustivos nos quais as espécies lenhosas apresentam estatura pequena e fraca densidade. São os carrascais que ocorrem na Serra, a maior altitude ou no Bairro e (charneca, em terrenos muito intervencionados. Estas formações, com uma componente herbácea importante, são autênticas garrigues onde o solo aparece frequentemente calvo ou coberto de rocha. Nelas surge com maior frequência a Tomilhinha e, na Serra, ocorrem espécies como a Salva-brava, a Alfazema-brava e Delphinium pentagynum. Determinados animais, de que são exemplo a lagartixa-do-mato-ibérica, a Toutinegra-de-cabeça-preta e a Felosa-do-mato, são característicos destas comunidades vegetais. Sob condições particulares, certos povoamentos arbustivos evidenciam uma fraca representatividade do Carrasco. Estamos a pensar em zonas antes ocupadas por pinhais e eucaliptais, de solos mais ácidos, dominadas pelas urzes, pelos tojos e pelas estevas ou, ainda, em certos povoamentos arbustivos da Serra nos quais a Azinheira é maioritária.

Os Povoamentos Florestais

Existem no concelho quatro diferentes formações arbóreas que são o montado de sobro, o pinhal- manso, o pinhal-bravo e o eucaliptal. Destas apenas as duas últimas assumem acentuada expressão surgindo em manchas de reduzida dimensão no Bairro embora na Charneca representem a forma dominante de uso do solo. Aqui, o Pinheiro-bravo e o Eucalipto constituem povoamentos mistos ou puros. O sub-bosque do eucaliptal é ralo e rasteiro. Nele aparecem a Lavandula luisieri, a Roselha, o Alcar, a Erva-das-sete-sangrias, a Queiró, a Torga, a Carvalhiça e tojos (Ulex/Genista). Esta vegetação ganha maior significado em zonas de orla ou em clareiras. A Sardanisca-argelina é o animal mais conspícuo. Como esperávamos, o eucaliptal apresenta-se muito pobre do ponto de vista biológico.

No pinhal também se desenvolve um sub-bosque bastante adulterado, contudo nele pode já ocorrer o Sobreiro, o Murtinho, o Medronheiro, as silvas e o Testículo-de-cão usual. Da fauna salientam-se aves como o Melro-preto, o Chamariz, a Trepadeira-comum, o verdilhão e o Cartaxo-comum. Na Primavera, o chapim-preto e o Papa-moscas-cinzento apenas existem em pinhal e assim este coberto vegetal assume um papel importante para estes dois passeriformes. A Gralha-preta utiliza pinhais e eucaliptais como zonas de refúgio e reprodução enquanto a Águia-cobreira constrói neles o seu ninho caçando nas zonas mais elevadas da Serra.

Os Pomares de Sequeiro

O pomar de sequeiro mostra um claro e marcante domínio da Oliveira que se apresenta por vezes associada à Figueira. A Oliveira veio substituir a Azinheira, o Sobreiro e o Carvalho-Cerquinho e condiciona actualmente grande parte da paisagem concelhia e também alguns dos meios de carácter seminatural. Podem encontrar-se desde olivais limpos e bem cuidados com alguma forma de uso do solo sobcoberto, passando pelos olivais em consociação com pousios até aos olivais mais ou menos abandonados pelo homem onde se evidenciam frequentes núcleos de vegetação natural (carrascal), azinheiras e afloramentos rochosos ou mesmo, como no caso de determinadas formações da Serra, antigos olivais que por evolução progressiva da vegetação, assinalem hoje em dia uma estrutura e composição florística que os define já como mata mediterrânica na qual ainda perduram algumas oliveiras isoladas. O valor natural destes povoamentos aumenta segundo a ordem de evolução atrás descrita. A Oliveira é, no concelho, o equivalente ecológico da Alfarrobeira no barrocal algarvio que, como ela, origina diversos meios ecológicos consoante o grau e periodicidade de intervenção humana. A própria comunidade faunística - em particular avifaunística é muito semelhante nas duas situações integrando um núcleo de espécies principais composto pelo Papa-figos, o Picanço-barreteiro, o Estorninho-preto, o Mocho-galego, o Chapim-real, o Melro-preto, a Toutinegra-de-cabeça-preta e o Chamariz.

Na época invernal, o olival suporta um elevado número de aves entre as quais se evidenciam os tordos que exploram um recurso abundante - a azeitona.

 

Fauna 

Relativamente à fauna, surge-nos um conjunto de espécies vasto e diversificado, mais ou menos bem representativo em qualquer dos principais quatro grupos de vertebrados terrestres embora se possa afirmar que as espécies mais comuns, aquelas que se observam com frequência, são na sua maioria espécies de grande elasticidade adaptativa (generalistas), isto é, pouco exigentes do ponto de vista ecológico, oportunistas e que caracterizam bem a realidade ambiental do concelho - uma área rural muito intervencionada onde a presença do homem é muito marcante. São exemplo do que acabámos de referir animais como a Rã-verde, a Sardanisca-argelina, a Cobra-rateira, o Mocho-galego, a Águia-de-asa-redonda, o Pintassilgo, o Chamariz, a Fuinha-dos-juncos, a Gralha-preta, a Andorinha-das-chaminés, o Chapim-real, o Melro-preto, o Rato- das-hortas, o Musaranho-de-dentes-brancos e o Coelho entre diversas outras.

Em contraste com esta situação ocorrem espécies mais especializadas, próprias de meios ambientes particulares ou pouco tolerantes à presença do homem, que se encontram na maior parte dos casos muito localizadas. É o caso do Tritão-de-ventre-laranja, dos rouxinóis-dos-caniços, da Laverca, da Petinha-dos-campos, da Alvéola-cinzenta, do Chapim-preto, da Lontra e dos morcegos, estes últimos acantonados em determinados locais rochosos (e.g. grutas, algares) onde possuem colónias de reprodução e/ou de hibernação. Algumas são mesmo bastante raras como a Águia-cobreira, a Águia-calçada, e a Gralha-de-bico-vermelho.

Um pouco à semelhança do que se passa na flora, também na fauna encontramos um conjunto bastante expressivo de espécies de afinidades mediterrânicas ou que na Europa se confinam à área circum-mediterrânica. Destas destacamos a Salamandra-de-costelas-salientes, a Rela-meridional, a Osga-comum, a Cobra-de-ferradura, a Cobra-rateira, o Rouxinol-bravo, o Andorinhão-real, a Fuinha-dos-juncos, o Andorinha-dáurica, o Pardal-francês, a Toutinegra-de-cabeça-preta, a Toupeira, o Musaranho-anão-de-dentes-brancos, o Morcego-de-ferradura-mediterrânico e o Morcego-de-peluche. Se tivéssemos que escolher um animal e uma planta selvagens que fossem os mais representativos do concelho e que de alguma maneira ilustrassem um símbolo de resistência e de capacidade de sobrevivência perante a acção do homem e dos agentes naturais, não teríamos qualquer hesitação em apontar o Coelho - que se refugia principalmente nas matas e matagais, saindo ao anoitecer para se alimentar nos campos agrícolas e que está na base da intensa actividade cinegética de que o concelho é palco (cerca de 70% do concelho é abrangido por Zonas de Caça Associativa) - e o Carrasco. Se pensarmos agora nas plantas cultivadas então destacaríamos claramente aquela que foi conquistando terreno pela mão do homem e que actualmente se mantém como fazendo parte da cultura dominante - a Oliveira.

Estas três espécies estão indissociavelmente ligadas à ecologia mediterrânica; por isso e ainda pelo que atrás já se referiu, o concelho está profundamente influenciado por este tipo de ambiente. Contudo, nele verificam-se diferenças por vezes assinaláveis, de zona para zona, que radicam na variada estrutura e composição do coberto vegetal e que originam diversos meios ecológicos os quais passamos seguidamente a abordar ainda que de forma breve.

in "Santarém. Um roteiro Natural do Concelho" (1996)

 

Peixes

Boga portuguesa (Chondrostoma lusitanicum reclassificada como Iberochondrostoma lusitanicum), que é uma espécie endémica de Portugal, com estatuto de Criticamente em Perigo no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal e listada na Directiva Habitats no Anexo II, existente no rio Alviela e na ribeira de Almoster.

Escalo (Squalius pyrenaicus), endemismo Ibérico, em perigo, existente no rio Alviela, ribeira de Almoster, ribeira de Alcobertas e rio Tejo.

Enguia (Anguilla anguilla), distribuição abrangente, mas com estatuto de protecção em perigo, pois está comercialmente ameaçada, capturada ilegalmente na fase larvar com redes de malha muito fina (espécie que na fase larvar “meixão”, efectua migrações do mar para os vários rios que coloniza).

O bordalo (Squalius alburnoides), com estatuto vulnerável no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal de 2005 e listado na Directiva Habitats no Anexo B-II.

Existem registos históricos e testemunhos da prática de pesca ao sável (Alosa alosa) e saboga (Alosa fallax), no rio Alviela e rio Maior, no entanto as alterações ocorridas nestes cursos de água e a poluição provocaram o desaparecimento ou pelo menos a rarefacção destas duas espécies nos rios referidos, pelo que, actualmente apenas se registam capturas no rio Tejo, verificando-se ainda uma redução dos efectivos capturados, tendo o sável estatuto em perigo e a savelha vulnerável, e sendo ambas as espécies, migradoras e com morfologia e hábitos bastante semelhantes, as medidas para protecção destas espécies serão semelhantes (exemplo, manter o continuum fluvial, evitar a construção de açudes e outros obstáculos à sua migração…).

A lampreia (Petromyzon marinus), outra espécie migradora, apresentava praticamente a mesma distribuição que o sável e a savelha. Neste momento, no concelho de Santarém, também só se registam capturas confirmadas no rio Tejo. Esta espécie tem estatuto de protecção vulnerável.

O Bordalo (Squalius alburnoides), endemismo Ibérico, considerado vulnerável, existente no rio Alviela, ribeira de Almoster e rio Tejo.

Outras espécies de peixes autóctones estão listadas na Directiva Habitats: Barbo comum (Barbus bocagei) – Anexo B-V, boga comum (Chondrostoma polylepis) – Anexo B-II e verdemã (Cobitis paludica) – Anexo B-II. Todas estas espécies estão listadas na Convenção de Berna no Anexo III, excepto a enguia.

Foi recentemente identificada uma nova espécie a Chondrostoma olisiponensis, pelo que, ainda não tem nome comum nem estatuto de protecção, esta espécie apenas surge em dois cursos de água, o rio Trancão e no nosso concelho na ribeira de Almoster.

Chondrostoma olisiponensis

 

Anfíbios

Há referências da presença da rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), com estatuto quase ameaçado no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Tritão marmorado (Triturus marmoratus), sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes), sapo corredor (Bufo calamita), rela (Hyla arborea) e rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi) listados na Directiva Habitats no Anexo B-IV, sendo que esta última se encontra listada também no Anexo B-II e o tritão marmorado encontra-se listado na Convenção de Berna no Anexo III.

Outras espécies são mais comuns, como as rãs verdes, os sapos comuns, as salamandras de pintas amarelas, no entanto também as suas populações têm tido decréscimos significativos, devido a vários factores: o aumento das redes viárias, onde ocorrem muitos atropelamentos de anfíbios, a poluição dos cursos de água e a predação por parte de uma espécie exótica que assumiu categoria de praga, o lagostim vermelho.

 

Répteis

A fauna de répteis não é tão dependente do meio aquático como a fauna de anfíbios, mas ocorrem pelo menos mais 3 espécies dependentes do meio aquático, designadamente Cobra-de-água-viperina (Natrix maura), Cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix) e Cágado comum (Mauremys leprosa), sendo que este se encontra listado na Directiva Habitats nos Anexos B-II e B-IV, e na Convenção de Berna no Anexo II. As espécies supra-citadas, apesar de não terem estatuto de protecção desfavorável têm tido regressão generalizada dos efectivos populacionais, por redução de áreas de refúgio e habitat favorável, perseguição direccionada, assim como, a captura de cágados para animal doméstico, mas é ainda possível observar alguns exemplares destas espécies.

 

 Aves

A avifauna apresenta importantes alterações ao longo do ciclo anual, em resultado dos movimentos migratórios de muitas espécies, sendo no entanto de realçar que, as zonas marginais dos rios, são áreas fulcrais durante o processo de migração, sendo locais por excelência de refúgio e alimentação. Existem ainda várias espécies de aves que dependem totalmente do meio aquático para a sua sobrevivência, designadamente várias espécies de garças, passeriformes, entre outras.

No nosso concelho surgem algumas espécies com estatuto de protecção desfavorável, nomeadamente:

  • Garça-vermelha (Ardea purpurea) tem estatuto de em perigo, frequentando vários cursos de água e zonas alagadas do concelho, não havendo nidificação confirmada, procura alimento nos nossos cursos de água.
  • Garçote tem estatuto de vulnerável no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.
  • A garça-vermelha (Ardea purpurea), a garça branca (Egretta garzetta) e o garçote (Ixobrychus minutus) estão listadas na Directiva Aves no Anexo A-I. As três espécies de aves referidas anteriormente, estão listadas na Convenção de Berna no Anexo II.
  • Colhereiro (Platalea leucorodia) e flamingo (Phoenicopterus roseus) com estatuto vulnerável, duas espécies que apesar de não nidificarem no concelho de Santarém, utilizam áreas palustres e temporariamente alagadas do Rio Alviela (São Vicente do Paul) e confluência do Rio Maior com a Ribeira de Almoster (Paul das Salgadas).

Flamingos e outras aves no Paúl das Salgadas - próximo de Casal do Paúl

As aves constituem a componente faunística mais diversificada destes meios, ocorrendo espécies como o Rouxinol-comum, o Rouxinol-bravo, a Felosa-poliglota, a Carriça, a Toutinegra-de-barrete-preto, a Alvéola-cinzenta e mais comum a Alvéola-branca. Em locais onde a linha de água ladeia encostas com vegetação arbórea densa então aparecem também o Chapim-rabilongo, o Pisco-de-peito-ruivo e a Felosa-comum.

Junto aos rios de maior caudal e zonas pantanosas, para além dos já referidos colhereiros e flamingos observáveis apenas durante alguns meses por ano em zonas muito localizadas e com pouca presença humana, existem espécies mais comuns como a Garça-branca, a Cegonha-branca, o Pato-real, a Galinha-d'água, o Milhafre-preto, os rouxinóis-dos-caniços, o Bico-de-lacre, os pintassilgos e até os Guarda-rios.

 

Mamíferos

Toirão (Mustela putorius) e a lontra (Lutra lutra), listados na Convenção de Berna no Anexo III e Anexo II, respectivamente, presentes em vários cursos de água do concelho.

As lontras são dificilmente observáveis, pois assumem quase sempre comportamentos nocturnos, no entanto deixam indícios de presença, facilmente detectáveis nos locais mais frequentados por estes animais, já que os seus dejectos são uma massa compactada de escamas e cascas de lagostins, também as suas pegadas são passíveis de ser observadas, mas são mais difíceis de distinguir de outros mamíferos.

Indício de presença de lontra

 

RECURSOS HÍDRICOS

O Tejo surge indiscutivelmente como o mais importante curso de água. Para além de uma extensa rede de canais e valas para rega e drenagem que nele desaguam, na sua margem direita lançam-se diversos outros rios e ribeiros de regime mais ou menos torrencial, alimentados fundamentalmente pelo maciço de Porto de Mós. De entre eles destacam-se, como mais importantes, o rio Alviela, o rio Maior (ou ribeira da Asseca, no troço concelhio), com os seus afluentes ribeira de Almoster e ribeira de Alcobertas, e a ribeira de Stº. António. Estes, por sua vez, possuem outros pequenos afluentes. Em anos normais, os principais cursos de água conduzem água permanentemente embora o seu caudal seja significativamente variável. A utilização predominante de toda esta água já foi na cultura do arroz embora actualmente sirva outro tipo de culturas de regadio. 

Os Cursos de Água
                                                                                               
Os cursos de água assumem fundamentalmente dois tipos distintos: um, nos troços superiores das linhas de água que têm origem no maciço de Porto de Mós; outro, representado pelo Tejo e pelos troços inferiores daquelas, nomeadamente das ribeiras da Asseca e Almoster, e do rio Alviela. No primeiro caso, os cursos de água são influenciados em maior ou menor grau pelo meio envolvente seja ele composto por campos de cultura, matagais ou núcleos de mata mediterrânica. De uma maneira geral, encontram-se limitados por uma galeria ripícola formada por árvores como o Salgueiro-branco e o Freixo-de-folha-estreita, este último claramente dominante, existindo nos estratos inferiores da vegetação um variado conjunto de plantas das quais se destacam as silvas (Rubus sp.). Nos cursos de água mais largos e que influenciam de modo mais ou menos significativo o meio envolvente, alagando-o sempre que ocorrem cheias surge um tipo de vegetação ribeirinha em que se destacam os salgueiros, o Choupo-negro, as Canas, as Tábuas e as manchas de Caniço. 

Os vários cursos de água do concelho albergam uma fauna bastante rica, sendo áreas relevantes para a sobrevivência de várias espécies com estatuto de protecção, apresentam-se de seguida as mais relevantes:

 

Atlas da água – INAG (Recursos hídricos do concelho): 

 

Para mais informações sobre os cursos de água do concelho consultar:
http://www.inag.pt/ | http://snirh.pt/

   

 

 

 

 

 

Caraterização Histórico-Cultural


 

Pré-História e Mundo Antigo (século X a. C. - V d. C.)

As teorias tardo-renascentistas que associam a fundação de Santarém ao nome do fundador mítico de Tartessos (o herói Habis) são inaceitáveis à luz dos conhecimentos actuais. A arqueologia demonstra-nos que a primeira “estrutura urbana” do povoado remonta ao Bronze final.

A população de Moron, culturalmente identificada com as civilizações mediterrâneas, foi subjugada pelos colonizadores romanos quando estes tomaram o castro, ficando este acontecimento inscrito para sempre na história local. Desconhecendo o significado da(s) palavra(s) indígena(s) Sqlab, os escritores romanos interpretaram-na como um topónimo e latinizaram-na sob a forma de Scallabis. Por este nome a cidade viria a ser conhecida durante todo o Mundo Antigo, quer nas fontes escritas, quer epigráficas.

De um entreposto comercial no Tejo médio, Scallabis adquiriu o estatuto de uma colónia cesariana nos finais do séc. I a.C., transformando-se rapidamente, pela sua localização geográfica, num importante centro administrativo.

A partir do século III d.C. a colónia romana de Scallabis retrai-se, face à importância crescente de Olissipo (Lisboa). Por essa altura o Cristianismo propagou-se no seu território, dando provavelmente origem a um pequeno bispado, constituído por altura da divisão do Império por Constantino.

 

Período Medieval (séculos V-XV)

A tomada de Santarém por Sunerico, em 460, dita o fim da dominação romana, abrindo caminho para a inclusão da cidade no reino visigodo, com capital em Toulouse.

É admissível que a civitas hispano-romana tenha mantido uma relativa autonomia, quer política, quer religiosa.

Os quatro séculos de ocupação islâmica (sécs. VIII-XII) fizeram renascer o papel estratégico-militar e económico do lugar. Desta nova realidade beneficiaram os monarcas portugueses, desde a conquista definitiva por Afonso Henriques, em 15 de Março de 1147.

A importância de Santarém desde o século XII documenta-se por inúmeros privilégios que constam nos seus forais e reflecte-se nos seus quinze e mosteiros e cerca de quarenta ermidas, dois paços realengos e vários palácios e solares da melhor nobreza do reino, distribuídos pelas suas quinze paróquias urbanas. O seu número e relevância testemunham uma opulência artística e cultural sui generis à escala do território português, ombreando com importantes metrópoles europeias.

A centúria de Quatrocentos marca o auge da vila de Santarém. Com D. João I e a "ínclita geração" foram preparadas com grande sigilo, no Paço Real da Porta de Leiria, as expedições a Ceuta e a Tânger. Porém, a morte do infante D. Afonso, em Alfange (1491), como que anuncia um longo período de estagnação.

 

Período Moderno (séculos XV-XVIII)

 Num contexto em que Lisboa reforçava o seu papel de verdadeira capital e centro da nação, a Santarém quinhentista vai assumir-se como pólo regional a nível económico e cultural.

O apoio local dado a D. António, prior do Crato, na sucessão do trono de Portugal, implicou algumas represálias por parte de Filipe II de Espanha, tendo o monarca castelhano desembarcado na Ribeira de Santarém em 1581. Não obstante os sinais de descontentamento face ao domínio estrangeiro, a vila é ainda visitada por Filipe III de Espanha, em 1619.

Por volta do segundo quartel de Seiscentos notam-se grandes inquietações na vida da urbe, indiciadoras de um sentimento de revolta popular: há notícia de motins em 1629, 1636 e 1637.

A insegurança social e o agravamento da situação económica que estão na origem da Restauração da monarquia portuguesa, em 1 de Dezembro de 1640, tiveram junto aos paços do concelho um importante episódio: Fernão Teles de Menezes, 1º conde de Unhão, lidera os conjurados e procede à aclamação de D. João IV como Rei de Portugal. A acção deste nobre, descendente de Vasco da Gama, marcou de resto toda a história da urbe da 2ª metade do século XVII, tendo este período ficado conhecido, na história local, como "século do Conde de Unhão".

Sob os auspícios da monarquia brigantina uma nova cidade vai nascer, influenciada pelas ideias do catolicismo tridentino, pelas correntes estéticas do maneirismo e pelas iniciativas públicas do Conde de Unhão. Em consequência deste renascimento, edificam-se novos edifícios religiosos, dá-se um importante surto de ressurgimento de confrarias e a estratificação social atinge o seu auge.

 

Período Contemporâneo (séculos XVIII-XX)

O terramoto de 1755 e os conflitos armados em que Portugal se envolveu no século XVIII acabaram por reflectir-se na estrutura de uma povoação que respirava ainda muitas das características da sua vivência medieval. O envelhecimento das muralhas, a inexistência de locais de aquartelamento e de cavalariças e de modernos espaços de assistência obrigou a um esforço notável de adaptação.

Durante o século XIX Santarém veste-se de roupagens românticas. Em 1868 a vila adquire o estatuto de cidade e esta nova categoria implicou a modernização do seu território, traduzida a nível das infraestruturas básicas e dos equipamentos lúdico-culturais.

Novas elites sociais, de pensamento anti-clerical e progressista, marcavam a cidade e as suas influências. Exigia-se uma ‘cidade aberta’ e sob este pretexto o camartelo municipal passaria a sacrificar ao progresso vários edifícios que haviam resistido à fúria dos exércitos napoleónicos.

 

 

Caraterização Sócio-Demográfica


 

O concelho de Santarém, parte integrante da NUTII da Lezíria do Tejo, registava à data do XV Recenseamento Geral da População e V Recenseamento Geral da Habitação / 2011 um total de 62200 indivíduos residentes. Este valor representa um decréscimo populacional de 1363 indivíduos, relativamente ao momento censitário de 2001.

Em 2011, 47% da população residente no concelho era do sexo masculino e 53% do sexo feminino.

 

Q1- População residente em 2001 e 2011, no concelho, por grupo etário e taxa de variação

  População residente em 2001 População residente em 2011 Taxa de variação
 

Total do

concelho de

Santarém

HM H 0-14 15-24 25-64 65 ou + HM H 0-14 15-24 25-64 65 ou + Var. total 0-14 15-24 25-64 65 ou +
 63563 30399 8938 8447  33129 13049 62200 29447 8891 6046 33101 14162 -2,14 -0,53 -28,42 -0,08 8,53

Fonte: INE, Censos 2011

 

Em termos das freguesias, a partir da análise isolada de cada uma, aquelas que registavam, em 2011, o maior número de população residente eram:

- S. Salvador (10513 habitantes) – União das Freguesias de Santarém

- S. Nicolau (9627 habitantes) – União das Freguesias de Santarém

- Marvila (9044 habitantes) – União das Freguesias de Santarém

- Alcanede (4547 habitantes)

- Vale de Santarém (2920 habitantes)

 

No extremo oposto estão as freguesias que registavam o menor número de população residente:

- Vaqueiros (285 habitantes) – União de Freguesias de Casével e Vaqueiros

- Azoia de Baixo (297 habitantes) – União de Freguesias de Achete, Azoia de Baixo e
Póvoa de Santarém

- Azoia de Cima (496 habitantes) – União de Freguesias de Azoia de Cima e Tremês
- Gançaria (514 habitantes)

 

Para mais informações consulte:

Ficha do Concelho de Santarém.

Investir em Santarém - Caraterização do Concelho.

 

Contactos

  • Município

  • Freguesias

  • Empresas Municipais

  • Segurança

  • Saúde e Serviços Sociais

  • Serv. Judiciais

  • Serv. Públicos

  • Serviço de Higiene e Limpeza

     800 207 776

  • Serviços de Cemitérios

     243 352 034
     

  • Casa Pedro Álvares Cabral/Casa do Brasil

    243 304 652

  • Posto de Turismo

     243 304 437
     

  • Biblioteca Municipal Braamcamp Freire

    243 330 240 
     

  • Divisão de Ação Social e Saúde

     243 304 400

  • BLV- Banco Local de Voluntariado

     243 304 400
     

  • Serviço de Atendimento a Familiares e a Doentes de Alzheimer

    243 304 400

  • Câmara Municipal de Santarém

    243 304 200

  • Programa Rede Social – CLASS

     243 304 424
     

  • Gabinete de Psicologia da Criança e do Adolescente

     243 304 400
     

  • Gabinete de Apoio ao Imigrante e Minorias Étnicas

     243 304 400

  • Secção de Receitas

     243 304 217
     

  • Tesouraria

     243 304 214
     

  • Divisão de Espaços Públicos e Ambiente

    243 304 250

  • Divisão de Planeamento e Urbanismo

    243 304 627 243 304 613

  • Divisão de Educação e Juventude

    243 304 400

  • Ambiente e Sustentabilidade - Equipa Multidisciplinar de Ação para a Sustentabilidade

    243 304 400

  • Serviço de Atendimento da Divisão de Ação Social e Saúde

    243 304 400

  • Divisão de Obras e Projetos

    243 304 241 243 304 297

  • Divisão de Recursos Humanos e Administração

    243 304 200

  • NIAC - Núcleo de Informação Autárquica ao Consumidor

    . 243 304 408 
     

  • Serviço de Sanidade e Higiene Pública Veterinária

     243 304 230
     

  • Relações Públicas e Comunicação

    243 304 400

  • Assembleia Municipal de Santarém

    243 304 223
     

  • Gabinete Técnico Florestal

    243 333 122

  • Departamento Técnico e Gestão Territorial

    243 304 628

  • Sala de Leitura Bernardo Santareno

     243 304 649
     

  • Departamento de Administração e Finanças

    243 304 200

  • Bombeiros Municipais de Santarém

    243 333 122 / 243 333 091

  • Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes

     243 304 400/243 304 409

  • RLIS – Rede Local de Intervenção Social

     914 516 813

     

  • Casa do Ambiente

    243 321 183

  • Loja do Cidadão

    707 241 107

  • Teatro Sá da Bandeira

    243 309 460

     

  • Centro de Investigação Prof. Doutor Joaquim Veríssimo Serrão

    243 304 662

     

  • União de Freguesias da cidade de Santarém

    243 321 531

  • Junta de Freguesia de Gançaria

    243 405 164

  • União das freguesias de Casével e Vaqueiros

    243 441 253

  • União das Freguesias de Azoia Cima e Tremês

    243 479 923

  • Junta de Freguesia de Moçarria

    243 499 592

     

  • Junta de Freguesia de Póvoa da Isenta

    243 769 350

  • União das Freguesias de São Vicente do Paúl e Vale de Figueira

    243 441 857

  • Junta de Freguesia de Arneiro das Milhariças

    243 449 807

  • Junta de Freguesia de Vale de Santarém

    243 769 614

  • União das Freguesias da Romeira e Várzea

    243 469 758

  • Junta de Freguesia de Pernes

    243 440 570 

     

  • Junta de Freguesia de Amiais de Baixo

    249 870 787

  • União Freguesias de Achete, Azoia Baixo e Póvoa Santarém

    243 469 555

  • Junta de Freguesia de Abrã

    243 400 548

     

  • Junta de Freguesia de Alcanede

    243 400 313

  • Junta de Freguesia de Abitureiras

    243 469 599

  • Junta de Freguesia de Alcanhões

    243 429 794

  • Junta de Freguesia de Almoster

    243 491 404

  • Pavilhão e Nave Desportiva Municipal

     243 300 908

  • A.S. - Empresa das Águas de Santarém - EM, S.A.

    243 30 50 50

  • Piscinas do Sacapeito

     243 300 905

  • Complexo Aquático Municipal

     243 300 900
     

  • Viver Santarém

    243 300 900

     

  • Proteção Civil Municipal

    243 333 122/ 243 333 091

  • Bombeiros Municipais de Santarém

     243 333 122 / 243 333 091 

  • Polícia de Segurança Pública

    243 322 022/23/24

  • Guarda Nacional Republicana Brigada 2 - Grupo Territorial de Santarém

    243 300 070

     

  • Bombeiros Voluntários De Santarém

    243377900

     

  • Serviço Municipal de Proteção Civil

    800 222 122

  • Hospital Distrital de Santarém

     243 300 200 

  • Centro Regional de Segurança Social

    243 330 400

  • Administração Regional de Saúde

    243 300 700

  • Unidade de Saúde Familiar do Planalto (Centro de Saúde de Santarém)

    243 303 231/32/33 

  • Unidade de Saúde familiar de S. Domingos (C.S. Santarém)

    243 330 600/601

  • Santa Casa da Misericórdia de Santarém

    243 305 260

  • Cruz Vermelha Portuguesa

     243 323 374
     

  • APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

    243 356 505

     

  • GAV - Gabinete de Apoio à Vítima de Santarém

    243 356 505

  • Procuradoria da Instância Local Criminal de Santarém

    243 305 150

  • Procuradoria da Instância Central de Instrução Criminal de Santarém

    243 305 150

  • Procuradoria da Instância Central Criminal de Santarém

    243 305 150

  • DIAP

    243 305 150

  • Procuradoria da Instância Central do Trabalho de Santarém

    243 305 150

  • Procuradoria da Instância Central Cível de Santarém

    243 305 150

  • Procuradoria do Tribunal da Concorrência, Regulação e Supervisão

    243 305 150

  • Procuradoria da Instância Central de Comércio de Santarém

    243 305 150

  • Procuradoria da Instância Central de Família e Menores de Santarém

    243 305 150

  • CTT – Estação

    243 309 730

  • Portugal Telecom, Comunicações S.A.

    243 500 900

  • EDP - LTE - Eletricidade de Portugal

    808 505 505 (linha comercial)

    800 506 506 (avarias

  • Rodotejo

    243 333 200

  • CP - Caminhos-de-ferro Portugueses

    243 333 180

    www.cp.pt

  • Museu Diocesano de Santarém

    243 304 065

  • Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas – CNEMA

    243 300 300