“Como construir uma caixa-ninho para a Coruja-das-torres” foi o tema do workshop organizado Divisão de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (DADS) da Câmara Municipal de Santarém (CMS) na Casa do Ambiente, dia 14, pelas 15h30. A sala foi pequena para acolher as cerca de 50 pessoas que não perderam a oportunidade de ficarem a conhecer um pouco mais sobre as corujas e dar o seu contributo para a proteção da espécie.
No âmbito do protocolo assinado entre a CMS e a Universidade de Évora (EU), através do projeto SOS Alviela, Ana Marques, Mestre em Gestão e Conservação da Natureza, e Inês Roque, Mestre em Biologia da Conservação, da equipa do projeto “TytoTagus” que estuda a dispersão pós-natal da Coruja-das-torres no Vale do Tejo, vieram a Santarém falar um pouco das sete espécies de corujas que habitam em Portugal, particularmente da coruja-das-torres, também conhecida por Tyto alba.

Perante uma assistência, composta por várias faixas etárias (crianças, adolescentes, adultos e seniores), Ana Marques fez uma apresentação sobre as corujas, dando a conhecer um pouco melhor a misteriosa ave noturna. Como é, onde vive e o que caça, foram algumas das informações dadas a conhecer, ao público, sobre a coruja-das-torres.
Pela voz da investigadora ficámos a saber que se trata de uma ave que apresenta uma plumagem branca, que contrasta com a tonalidade das asas laranja e cinza. Possuem um bico em forma de nariz. Medem entre 25 e 45 centímetros e pesam entre 250 e 700 gramas. Têm uma visão refinada, cem vezes melhor que a humana, que lhes confere a capacidade de distinguir na escuridão, a uma altura de 10 metros, qualquer coisa que se movimente no solo, já que precisa de apenas de 10 por cento da luz utilizada pela visão humana para fazer essa distinção. A audição, aliada à visão, permite que a tyto alba consiga na total escuridão definir a posição das suas presas, que são normalmente pequenas aves, invertebrados, roedores, pequenos lagartos e anfíbios. Esta ave gosta de lugares abertos e de climas que variam de temperados aos tropicais. Constrói o seu ninho em cavernas, telhados de celeiros, prédios e em torres de igrejas.

Feita a apresentação, foi tempo de passar aos trabalhos oficinais, dividindo os participantes no workshop em quatro equipas, para aprenderam a fazer as caixas-ninho para a coruja-das-torres. Contraplacado marítimo, gentilmente oferecido pela empresa LAMINAR, que já tinha sido cortado por medida, foi o material utilizado para estes ninhos artificiais, que obedecem aos critérios de um modelo inglês que conta já com cerca de 10 anos de experiência com sucesso. Seguindo o esquema do projeto, previamente entregue, as equipas conseguiram produzir um total de cinco caixas-ninho, que serão posteriormente colocadas nos locais definidos pela equipa do “Tyto Tagus”.


De referir que as caixas-ninho têm tido um grande sucesso, uma vez que todas elas têm sido adotadas por casais de corujas-das-torres para construírem os ninhos e se reproduzirem. Como se trata de uma ave predominante, não migratória, as caixa-ninho são habitadas pelos casais de corujas para toda a vida. Já que as tyto alba quando acasalam se tornam parceiros para toda a vida.