Igreja do Santíssimo Milagre palco do lançamento da obra "Santarém Ilustrada”
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Igreja do Santíssimo Milagre palco do lançamento da obra "Santarém Ilustrada”
 
A igreja do Santíssimo Milagre foi palco no dia 19, do lançamento da obra "Santarém Ilustrada” de Luís Montês Matoso, com transcrição do texto e estudo introdutório de Martinho Vicente Rodrigues, editado pela Junta de Freguesia de Marvila.

Perante uma plateia repleta, Ricardo Gonçalves, Vice-Presidente da Câmara de Santarém, congratulou-se pela edição de uma obra tão importante para Santarém, tal como Carlos Marçal, Presidente da Junta de Freguesia de Marvila e do Padre Manuel Borges, da Paróquia de Marvila.

Luís Montês Matoso projetou e escreveu “Santarém Ilustrada” na 1.ª metade do século XVIII, obra que aguardou por publicação, 273 anos.

O Historiador Martinho Vicente Rodrigues transcreveu o texto e fez um estudo introdutório e a Junta de Freguesia de Marvila decidiu publicar esta obra há muito sonhada por grandes vultos da comunidade científica, relembrou Carlos Marçal, Presidente da Junta de Freguesia de Marvila.

Para Martinho Vicente Rodrigues, a obra “Santarém Ilustrada”, retrata “estudos incertos, como pesquisa de fonte, primorosos e dignos do Investigador, Clérigo presbítero de S. Pedro e escritor muito anotado pela sua literatura e extraordinária curiosidade, pela sua riqueza informativa, com temas ambiciosos, que iluminam um perfil de contornos da História de Santarém mal definidos.”

Esta Obra “é um documento, um estudo, desenvolvimento do património, sabedoria a transmitir e cultura Scalabitana”, referiu Carlos Marçal, agradecendo a todos os que permitiram que a publicação desta obra fosse possível.~

Martinho Vicente Rodrigues afirmou que “Esta 1ª edição de Santarém Ilustrada de Luís Montês Matoso, que foi o meu desafio, está longe de ser definitiva. Haverá outras. Reduziram-se dúvidas, e amanhã, nós ou outros, farão a correcção desta leitura que eu fiz. Digo, o Homem, terá lugar no tempo, continuará a servir, criando e recriando a História, que já não é só de heróis, de reis e príncipes, mas sobretudo, da humanidade.”, acrescentando que “Encontrei na transcrição, por vezes, uma letra complexa e difícil, e outras, deparei-me com belas páginas de prosa requintada e madura, quantas vezes urdida em Latim.”

“Ao Senhor Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, cultor da Ciência pelos caminhos da verdade, apaixonado por Santarém, a sua bem-amada.Tanto me pediu para quebrar o silêncio que escondia a grandeza de Santarém Ilustrada de Luís Montês Matoso.”, referiu Martinho Vicente Rodrigues.

O Historiador defendeu que a publicação de “Santarém Ilustrada” permite “abrir ao nosso olhar um ciclo de vida na historiografia setecentista”, acrescentando que aceitou o pedido que lhe foi feito pelo Professor Joaquim Veríssimo Serrão, e que nunca esqueceu as palavras de Virgílio Arruda; “Votos fazemos, portanto, para que o destino seja propício à publicação de «Santarém Ilustrada»”.

Para Martinho Vicente Rodrigues, Em “Santarém Ilustrada” estão as traves mestras da sua vida, o seu labor intelectual, de um modo tão desinteressado, inflamado pelo amor à História, incarnou o espírito da investigação, e a busca de sabedoria, deixa um legado, a sua obra, rico repositório de informações de história política, social, religiosa e cultural do país. Está no manuscrito o olhar de um finíssimo observador sobre o património artístico, testemunho de identidade de um valor inesgotável, proposta pluridisciplinar, para diversos trabalhos da comunidade científica.”

“Santarém Ilustrada”, projectada e escrita na primeira metade do século XVIII, “é procura, é ensaio, notável pela opulência da informação e pela tentativa de exatidão documental, cuja leitura interior do livro, obedece aos tempos e à sua medida.”, proferiu o Historiador.

Martinho Vicente Rodrigues referiu que a obra é “Um longo texto, que abre com um rosto raríssimo, que aguça ao extremo o limite da curiosidade, denunciando o espírito superior que o concebeu, para de imediato exortar os seus leitores a admirar a sua Santarém – Illustrada:

“Referem-se a situação, antiguidade e domínios, a que esteve sojeita esta muyto nobre, e sempre leal Villa, suas grandezas, milagres, numero de seus conventos monachaes, e Claustraes, e de todas as suas Igrejas Parrochiaes que conthem em si, em toda a sua comarca e Arcediagado, Ermidas, e Santuarios:

Trata-se especialmente do Santissimo Milagre que em crédito da nossa Santa fé Catholica Romana existe ha tantos séculos na mesma villa, e das maravilhas, com  que neste ano de 1738 se reforçou neste Mysterio Altissimo  a fé dos Fieys.”

À predestinação segue-se-lhe o Prólogo, muito marcado pela ambição de justificar um conceito e a estrutura, no qual escreve:

“O amor da Patria foy o poderozo insentivo, que fez com que, não reparando eu na incapacidade da minha literatura, indagasse laboriozamente todas as noticias que compiley neste volume”.

Outro tópico importante do Prólogo, dá-nos a análise de conteúdo da História de Santarém:

 “A Historia de Santarem intentaram alguns curiozos escrever tambem particularmente; pois o que anda escripto, he tão disperso, e abbreviado, que parece mais, que elogio, injúria à villa tão benemérita, que quis Deos fazê-la depositária, e Cofre preciozo de tantas maravilhas, que em todo o mundo, parece se não conta outra tão ditoza, assim pellos estupendos prodigios com que Deos a tem enriquecido, como pellos sumptuozos Edificios, fundações de Sagrados Templos, (…)”.

Luís Montês Matoso apresenta ao leitor, no seu Prólogo, a qualidade mestra do historiador, em que evidencia a faculdade de apreensão sobre a vida que estava a ser dada ao passado de Santarém. Certo de que o presente é uma lição do passado, numa observação crítica, com lucidez, opõe-se a clássicos e contemporâneos. Pressupõe uma dialéctica e uma convergência – a partir dos curiosos que escrevem histórias e as verdades históricas. Enaltece o seu grande, e particular amigo Rodrigo Xavier Pereira de Faria.

Mas, antes de mais, ainda que todos estes estímulos fossem actuantes, havia um pensamento dirigente e, ao seu serviço, a realidade operante a imprimir à História de Santarém um rumo novo.

O Historiador afirmou perante um Santuário repleto, que o estudo da obra o obrigou “a palmilhar léguas por esta Santarém, terra de cultores da memória e das belas letras, a procurá-lo por diversos Arquivos e Bibliotecas nacionais.”

“Luís Montês Matoso, que amou avidamente os livros, não conseguiu superar toda a sorte de dificuldades e não viu publicado o seu contributo para a Humanidade – “Santarém Ilustrada”, lembrou Martinho Vicente Rodrigues.

“Eu sei o que é guardar livros por publicar – também os tenho, já com anos – sonho, na tarde de Outono, como o deve ter feito Luís Montês Matoso, a olhar o Tejo cor de esmeralda, na sua casa em Alfange. Mas Aristóteles diz que sonhar é ter esperança., confessou o Historiador, que, nesta tarde, viu mais um sonho concretizado.

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